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Histórias

O Rio quase Almodóvar
Eu era professora e vivia dura. Bicos eram pra lá de comuns na minha vida!

Um dia pintou uma festa junina na escola e eu me atirei na lista de candidatos à barraquinha de cachorro-quente.

Tinha um plano!

Convidei para sócia da barraca, a moça que trabalhava lá em casa. Ela era do ramo, dona de uma carrocinha e expert no assunto.

Só sonhava com dívidas pagas!

Fomos ao supermercado, ela segura da quantidade: um dia inteiro, pessoas com fome, crianças adoram cachorro-quente....

Me senti a própria rainha da salsicha ao sair do mercado entulhada do produto e seus complementos: molho, batata palha, maionese, guardanapo e etc e etc e etc.

No dia da festa chamamos 2 taxis: um só pra mim e uma tonelada de pães que não podiam amassar no banco de trás, o outro com a minha sócia, salsichas e cia, mais a infra da produção.

O motorista do meu táxi não parou de me interrogar sobre a dimensão do negócio mas eu ainda estava confiante.

Claro que depois de um dia inteiro, lá pelas 8 da noite, meu ânimo era outro diante da sobra gorda de salsichas!

Houve farta distribuição no Colégio, pros vizinhos do meu prédio, para amigos, familiares, conhecidos de rua, menos conhecidos, ex-namorados... Com certeza, todos passaram um bom tempo odiando cachorro-quente.

Achei melhor procurar outro bico porque as dívidas aumentaram!

Me atirei então na produção de blusas, com direito a rolos de malha compradas no paraíso do Rio Comprido.

Claro, mais uma vez tive que chamar um táxi.

E qual não foi minha surpresa ao olhar pra cara do motorista que imediatamente me reconheceu e lançou a pergunta:

_ A senhora não é aquela das salsichas? Ah, mudou de ramo, não é?

Sobre o autor

Nome: Gi Costa
Perfil:
Cidade/País: Rio de Janeiro/BRASIL

 

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